O que é CPT? Carriage Paid To (CPT) é uma regra Incoterms 2020 aplicável a todos os modais de transporte. O vendedor paga o custo do frete até um local de destino nomeado, mas o risco é transferido do vendedor para o comprador assim que as mercadorias são entregues ao primeiro transportador na origem. O CPT é tipicamente usado onde o vendedor organiza o transporte, mas o comprador deseja controlar seu próprio seguro. Ele impõe mais obrigações de custo ao vendedor do que o FCA, mas mais risco ao comprador do que o CIP.
CPT significa Carriage Paid To (Frete Pago Até). Quando um fornecedor lhe apresenta um preço em termos CPT, ele está dizendo: “Pagaremos para levar suas mercadorias até o destino nomeado.” Isso soa tranquilizador. Mas há uma pegadinha que confunde as pessoas todos os anos. O vendedor paga a conta do frete até sua porta, mas se algo for perdido ou danificado no caminho, esse é o seu problema financeiro para resolver. Compreender essa divisão entre custo e risco é a chave para usar o CPT com segurança.
Sumário
- Como Funciona o CPT. Passo a Passo
- Responsabilidades do Vendedor e Comprador no CPT
- O que o CPT Inclui? (Custos e o que Eles Cobrem)
- Onde o Risco é Transferido sob o CPT?
- CPT e Seguro. Que Cobertura Você Precisa?
- Vantagens do CPT para Vendedores
- Vantagens do CPT para Compradores
- Desvantagens do CPT para Vendedores. O que Pode Dar Errado
- Desvantagens do CPT para Compradores. O que Pode Dar Errado
- Quando Usar o CPT?
- Quando Evitar o CPT?
- Erros Comuns ao Usar CPT
- CPT vs CIP
- CPT vs CFR
- CPT e Modal de Transporte. O que Você Pode Embarcar?
- CPT no Incoterms 2020 — Algo Mudou?
- CPT para Importadores e Exportadores no Brasil
- Um Exemplo Real. CPT na Prática
- Perguntas Frequentes sobre CPT
- Principais Pontos: O que Você Precisa Saber sobre CPT
Como Funciona o CPT — Passo a Passo
Sob o CPT, o vendedor assume a responsabilidade de levar as mercadorias a um destino nomeado e paga pelo frete para chegar lá. Mas eles transferem o risco muito antes disso. Aqui está a sequência completa do início ao fim.
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Contrato acordado. Comprador e vendedor concordam com os termos CPT e nomeiam um destino de entrega específico (por exemplo, “CPT armazém em São Paulo” ou “CPT Terminal de Contêineres de Santos, Brasil”). Quanto mais específico o local nomeado, mais clara a fronteira de custo entre as duas partes.
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Vendedor prepara as mercadorias. O vendedor embala, etiqueta e prepara o envio para coleta.
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Vendedor cuida do despacho de exportação. O vendedor apresenta toda a documentação alfandegária de exportação em seu país e paga quaisquer impostos de exportação. O comprador não tem papel no processo de exportação.
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Vendedor entrega as mercadorias ao primeiro transportador. Este é o ponto de transferência de risco. No momento em que as mercadorias estão com o primeiro transportador, um transportador rodoviário, agenciador de cargas ou companhia aérea, o risco passa para o comprador. Pode ser um caminhão coletando na porta da fábrica do vendedor, não um navio saindo de um porto.
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Vendedor paga o frete. Mesmo que o comprador agora carregue o risco de perda ou dano, o vendedor paga o frete até o destino nomeado. Esta é a divisão definidora do CPT: a carteira do vendedor ainda está ativa, mas é o risco do comprador.
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Mercadorias viajam até o destino. A jornada principal, por estrada, ferrovia, mar ou ar, é por conta do vendedor, mas sob o risco do comprador.
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Comprador cuida do despacho de importação. No país de destino, o comprador cuida do despacho aduaneiro, paga os impostos de importação e o IVA (ou impostos locais equivalentes). No Brasil, isso significa apresentar a documentação necessária à Receita Federal, obter um número EORI (se aplicável para comércio com a União Europeia, por exemplo), e pagar os tributos devidos.
-
Comprador recebe as mercadorias. A entrega é completa no destino nomeado, e as obrigações CPT do vendedor são cumpridas.
Responsabilidades do Vendedor e Comprador no CPT
| Responsabilidade |
Vendedor |
Comprador |
| Despacho de exportação |
✅ Sim |
❌ Não |
| Impostos de exportação |
✅ Sim |
❌ Não |
| Pré-transporte até o primeiro transportador |
✅ Sim |
❌ Não |
| Entrega das mercadorias ao primeiro transportador |
✅ Sim — o risco é transferido aqui |
— |
| Frete principal para o destino nomeado |
✅ Sim (paga a conta) |
❌ Não (mas assume o risco) |
| Seguro de carga durante o trânsito |
❌ Não exigido |
✅ Comprador deve providenciar |
| Despacho de importação |
❌ Não |
✅ Sim |
| Impostos de importação |
❌ Não |
✅ Sim |
| IVA de importação |
❌ Não |
✅ Sim |
| Descarga no destino |
❌ Não (a menos que acordado) |
✅ Sim |
A linha mais importante nesta tabela é a linha do frete. O vendedor controla o arranjo do frete e paga por ele, mas o comprador assume o risco de perda ou dano a partir do momento em que as mercadorias saem das mãos do vendedor. Se as mercadorias forem danificadas no meio da viagem, o comprador não tem reclamação contra o vendedor, apenas uma reclamação contra quem segurou o carregamento. E sob o CPT, o vendedor não tem obrigação de segurá-lo.
O que o CPT Inclui? (Custos e o que Eles Cobrem)
Quando um fornecedor lhe apresenta um preço “CPT [local nomeado]”, veja o que esse preço cobre.
Incluído no preço CPT do vendedor:
– Embalagem e preparação das mercadorias para envio
– Pré-transporte das instalações do vendedor até o primeiro transportador
– Despacho de exportação e quaisquer impostos de exportação no país do vendedor
– O frete principal (transporte) até o destino nomeado
NÃO incluído, o comprador providencia e paga separadamente:
– Seguro de carga (o vendedor não tem obrigação de fornecer isso sob o CPT)
– Despacho de importação no destino
– Impostos de importação
– IVA de importação (no Brasil: imposto de importação, IPI, ICMS)
– Quaisquer custos de descarga no destino, a menos que o contrato especifique o contrário
Para um importador brasileiro recebendo mercadorias de contêiner de um fornecedor na China em termos CPT para o porto de Santos, os custos adicionais do comprador em um carregamento de R$ 200.000 podem parecer aproximadamente assim:
| Custo |
Estimativa |
| Imposto de Importação (taxa depende da mercadoria) |
R$ 0–R$ 40.000 |
| ICMS (taxa estadual, varia) |
R$ 20.000–R$ 40.000 |
| IPI (taxa federal, varia) |
R$ 0–R$ 60.000 |
| Taxas de despacho aduaneiro (despachante) |
R$ 1.500–R$ 4.000 |
| Frete interno do Porto de Santos para armazém |
R$ 3.000–R$ 7.000 |
Nenhum desses valores está no preço CPT cotado pelo fornecedor. Orce para eles antes de concordar com os termos.
Onde o Risco é Transferido sob o CPT?
O risco é transferido do vendedor para o comprador quando as mercadorias são entregues ao primeiro transportador, e não quando elas chegam ao destino nomeado. Esta é a característica mais contra-intuitiva do CPT, e é a fonte da maioria das disputas CPT.
O vendedor ainda está pagando a conta do frete, mas a partir do momento em que o primeiro transportador tem as mercadorias, o comprador carrega o risco de perda ou dano. O destino nomeado no contrato apenas determina quem paga o trecho do frete, ele não tem nada a ver com quando o risco se move.
O que “risco” significa em linguagem simples? Se as mercadorias forem destruídas, perdidas ou danificadas após o ponto de transferência de risco, é problema financeiro do comprador. O vendedor não tem responsabilidade sob o contrato CPT. O comprador precisaria reclamar em sua própria apólice de seguro de carga, se tiver providenciado uma.
Um exemplo concreto: Um vendedor em Shenzhen, China, envia eletrônicos em termos CPT para um comprador brasileiro com o local nomeado sendo “CPT armazém em São Paulo”. Um transportador chinês coleta as mercadorias na fábrica de Shenzhen. Neste momento, o risco é transferido para o comprador brasileiro. Enquanto as mercadorias estão no porto de Nansha aguardando o embarque em um navio, um tufão danifica o contêiner. A perda recai sobre o comprador brasileiro, mesmo que o vendedor chinês ainda esteja pagando o frete marítimo. A obrigação de frete do vendedor continua, mas sua exposição ao risco terminou na coleta na fábrica.
Por que essa divisão existe? Sob o CPT, o vendedor entrega as mercadorias a um transportador que ele selecionou e reservou. As mercadorias podem passar por vários transportadores antes de chegar ao destino nomeado. A Câmara de Comércio Internacional (ICC), que publica as regras Incoterms, decidiu que a transferência de risco deve ser limpa e antecipada, na primeira entrega, em vez de ambígua em algum ponto intermediário do trânsito.
O destino nomeado importa para o custo, não para o risco. Se o contrato diz “CPT Porto de Santos” ou “CPT armazém do comprador em São Paulo”, o risco ainda é transferido no primeiro transportador no país de origem. O local nomeado determina onde a obrigação de pagar o frete do vendedor termina.
CPT e Seguro — Que Cobertura Você Precisa?
O CPT não impõe qualquer obrigação de seguro ao vendedor. A única obrigação de transporte do vendedor é pagar o frete. O seguro está totalmente fora das responsabilidades do vendedor sob o CPT.
Isso significa que o comprador está arcando com o risco desde o primeiro transportador no país de origem, sem cobertura de seguro garantida, a menos que ele mesmo a providencie.
O que o comprador deve providenciar?
Uma apólice de seguro de carga marítima (ou equivalente para carga aérea) cobrindo o trânsito desde o ponto de entrega na origem até o destino final. Isso geralmente é feito através de:
- Oferta de seguro de carga de um agenciador de cargas (conveniente, mas às vezes limitado)
- Um segurador marítimo especializado ou corretor renomado
- Uma apólice de carga aberta para toda a empresa, se você importar regularmente (geralmente a abordagem mais econômica)
Qual nível de cobertura? Peça as Condições de Cobertura A do Instituto de Carga (comumente chamadas de cobertura “todos os riscos”), sempre que possível. As Condições A cobrem perda ou dano de qualquer causa externa, exceto aquelas especificamente excluídas pela apólice. Alternativas mais baratas, Condições B ou Condições C, cobrem apenas riscos nomeados, como incêndio, naufrágio e colisão. Elas podem não pagar, por exemplo, infiltração de água durante manuseio no porto ou roubo de um pátio de contêineres.
Um aviso prático: O vendedor pode ter seu próprio seguro de carga para se proteger contra disputas de responsabilidade. Mas essa apólice protege os interesses do vendedor, não os seus. Você precisa da sua própria apólice. “O vendedor tem seguro” não é o mesmo que “Eu estou segurado”.
O limite de isenção de R$ 100 (valor aproximado): Para remessas de baixo valor, o tratamento do imposto de importação pode variar. Isso é uma questão separada do seguro de carga; você ainda deve considerar providenciar cobertura para pequenas remessas se uma perda causar um problema comercial, especialmente para bens frágeis ou de alta margem.
Vantagens do CPT para Vendedores
Controle sobre custos e rotas de frete. O vendedor negocia e paga pelo frete, o que significa que ele escolhe o transportador, a rota e o tempo. Para vendedores que enviam regularmente e negociaram taxas de volume, isso é comercialmente vantajoso. Eles podem recuperar o custo do frete no preço cotado e ainda obter uma margem.
Risco é transferido cedo. Embora o vendedor pague o frete até o destino, o risco sai dos livros do vendedor no momento em que o primeiro transportador pega as mercadorias. Se algo der errado no trânsito, o vendedor não tem responsabilidade. Esta é uma posição legal clara que exportadores experientes valorizam.
Nenhuma obrigação de seguro. Diferente do CIP, o vendedor sob o CPT não tem exigência de providenciar ou pagar seguro de carga. Isso reduz o custo e elimina o ônus administrativo. O vendedor não precisa providenciar cobertura, manter comprovante de seguro ou lidar com sinistros em nome do comprador.
Funciona para qualquer modal de transporte. O CPT se aplica a frete rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo. Um vendedor que envia da Alemanha para o Brasil por estrada, ou de Hong Kong por ar, pode usar o CPT para todos eles. Essa flexibilidade torna o CPT operacionalmente útil para exportadores com perfis de envio diversos.
Preços competitivos claros. Cotar “CPT [destino]” permite ao vendedor apresentar um único preço de frete inclusivo, o que é comercialmente atraente em licitações competitivas. O comprador vê um valor cobrindo mercadorias e entrega, sem que o vendedor precise incluir seguro nesse cálculo.
Vantagens do CPT para Compradores
Frete incluído no preço. O comprador recebe um preço que cobre o custo principal do frete. Não há surpresas na fatura de frete, essa é a responsabilidade do vendedor. Para compradores que têm dificuldade em comparar custos de frete por conta própria, ter o vendedor incluí-lo é uma conveniência genuína.
O comprador mantém o controle do seguro. Sob o CPT, o comprador providencia seu próprio seguro. Isso parece uma desvantagem, mas na verdade é um benefício para compradores que desejam controlar a qualidade e o nível da cobertura. Eles podem escolher a cobertura das Condições A com um segurador de confiança, em vez de depender do mínimo que o vendedor possa escolher.
Despacho de importação permanece com o comprador. O comprador cuida do despacho aduaneiro em seu próprio país, o que significa que ele controla o processo, o tempo e a escolha do despachante aduaneiro. Para importadores experientes com procedimentos estabelecidos e um despachante preferido, isso é preferível a ter um vendedor estrangeiro gerenciando a alfândega brasileira em seu nome.
Flexibilidade de todos os modais. Compradores que importam por ar, estrada, ferrovia ou mar podem usar CPT. Não há necessidade de mudar Incoterms entre tipos de envio: um Incoterm cobre todo o seu programa de importação.
Custo final potencialmente menor do que o CIP. Como o vendedor não tem obrigação de seguro, as cotações CPT podem ser ligeiramente menores do que os preços CIP equivalentes. Compradores que já possuem uma apólice de carga da empresa podem efetivamente trazer seu próprio seguro para um arranjo CPT em vez de pagar pela cobertura do vendedor dentro de um preço CIP.
Desvantagens do CPT para Vendedores — O que Pode Dar Errado
Exposição ao custo do frete. O vendedor se compromete antecipadamente a pagar o frete até o destino nomeado. Se os custos de combustível dispararem, as taxas de frete mudarem entre a cotação e o envio, ou o vendedor subestimar os custos de roteamento, essa diferença sai de sua margem. Em mercados de frete voláteis, preços CPT apertados carregam risco financeiro real.
Disputas sobre a conclusão da entrega. Se o vendedor paga o frete até “CPT armazém do comprador em São Paulo”, mas o transportador entrega atrasado, em endereço errado ou em condição errada, o vendedor pode enfrentar pressão comercial, mesmo que o risco legal tenha passado. A posição legal do vendedor é clara, mas a relação comercial se complica rapidamente.
Confusão do comprador sobre a divisão de risco. Alguns compradores genuinamente não entendem que o vendedor pagar o frete não significa que o vendedor arca com o risco de perda. Vendedores regularmente se encontram em disputas com compradores que presumiram que suas mercadorias danificadas seriam cobertas pelo vendedor, e culpam o vendedor quando descobrem que não são. Gerenciar esse mal-entendido antes que se torne um sinistro é um custo comercial contínuo.
Responsabilidade de escolher um primeiro transportador adequado. O vendedor deve entregar as mercadorias a um transportador de maneira apropriada para as mercadorias e as necessidades do comprador. Se o comprador precisa de transporte com controle de temperatura ou manuseio específico e o vendedor escolhe um transportador inadequado, pode haver um argumento legal de que o vendedor violou suas obrigações CPT, mesmo que o risco tecnicamente tenha sido transferido na entrega.
Desvantagens do CPT para Compradores — O que Pode Dar Errado
Arcar com o risco sem controlar o transporte. O comprador assume o risco a partir do primeiro transportador, mas não tem controle sobre qual transportador o vendedor usa, quando ele coleta, como as mercadorias são manuseadas ou qual rota ele toma. Se o transportador escolhido pelo vendedor for não confiável, as mercadorias do comprador estão em risco sem um relacionamento contratual direto com o transportador para buscar reparação.
Seguro é fácil de esquecer. Como o vendedor está pagando o frete e o preço parece inclusivo, os compradores às vezes presumem que estão cobertos contra perdas. Eles não estão. Chegar ao Porto de Santos ou Viracopos e encontrar uma remessa danificada sem seguro de carga em vigor é uma lição cara e evitável.
Despacho de importação e custos. O comprador deve cuidar do despacho aduaneiro, pagar impostos de importação e apresentar declarações. Compradores que são novos na importação, ou que já negociaram sob termos DDP onde o vendedor cuidava de tudo, podem ser pegos de surpresa tanto pelo custo quanto pelo processo.
Número EORI (se aplicável). Empresas importando mercadorias comercialmente para a União Europeia, por exemplo, precisam de um número EORI. Sem um, as mercadorias não podem ser liberadas pela alfândega. Compradores novos na importação sob CPT às vezes descobrem esse requisito apenas quando sua primeira remessa está parada no porto. Registre-se antecipadamente.
Ambiguidade do local nomeado causando disputas de custo. Se o contrato CPT diz “CPT Brasil” em vez de “CPT Terminal de Contêineres do Porto de Santos, Brasil”, há uma ambiguidade genuína sobre onde a obrigação de frete do vendedor termina. O vendedor pode argumentar que sua obrigação para no porto brasileiro; o comprador pode assumir que a entrega se estende ao seu armazém. Locais nomeados vagos criam disputas reais de fatura que são evitáveis com linguagem contratual específica.
Quando Usar o CPT?
Quando o comprador tem infraestrutura de importação estabelecida. Se sua empresa já possui um despachante aduaneiro, um número EORI (se aplicável) e um relacionamento de trabalho com um agente de carga no Brasil, o CPT é uma escolha eficiente. Você controla o lado da importação; o vendedor controla o lado da exportação e do frete.
Quando o comprador possui uma apólice de seguro de carga corporativa. Empresas que importam regularmente geralmente possuem uma apólice de carga aberta cobrindo todos os envios de entrada. O CPT é ideal nesta situação. Você traz seu próprio seguro, que provavelmente é de qualidade Condições A e com melhor custo-benefício do que cobertura por remessa, e o vendedor cuida da reserva de frete.
Para frete rodoviário da Europa para o Brasil. O CPT é particularmente comum para frete rodoviário de fornecedores da UE para compradores brasileiros após o Brexit. O vendedor paga o caminhão para cruzar o Canal e entregar em um destino brasileiro; o comprador cuida do despacho aduaneiro brasileiro em portos ou pontos de entrada. Esta é uma divisão clara e prática de responsabilidades.
Quando o vendedor tem fortes relacionamentos de frete. Se o seu fornecedor envia regularmente para o Brasil e negociou taxas de frete competitivas, o CPT permite que ele use essa vantagem comercial em seu benefício. Você obtém um custo efetivo menor sem ter que gerenciar a reserva de frete sozinho.
Quando Evitar o CPT?
Se você não tem seguro de carga e está comprando mercadorias de alto valor. O risco é transferido para o primeiro transportador no país de origem. Se mercadorias no valor de R$ 250.000 forem danificadas no porto de Xangai enquanto aguardam embarque, após o caminhão tê-las coletado, essa é sua perda sob o CPT. Sem uma apólice de seguro de carga em vigor antes da coleta, você não tem recuperação.
Se você não tem um número EORI (se aplicável). Você não pode importar mercadorias para a União Europeia sem um número EORI registrado. Se você é um importador de primeira viagem, registre-se antes que sua primeira remessa seja reservada. O CPT não é apropriado até que esse registro seja confirmado.
Se você quer que o vendedor cuide do despacho aduaneiro brasileiro. O CPT deixa todo o despacho aduaneiro brasileiro com o comprador. Se você não está equipado para lidar com isso, considere DAP (que ainda deixa a alfândega com você, mas lhe dá mais tempo), ou DDP, onde o vendedor cuida de tudo, incluindo impostos de importação.
Se o local nomeado do contrato for vago. Se você não consegue concordar com um ponto de entrega específico e nomeado com o vendedor, o CPT cria ambiguidade de custo. Um contrato vago é pior do que escolher um Incoterm diferente. Corrija o local nomeado ou escolha um Incoterm que evite a ambiguidade.
Erros Comuns ao Usar CPT
Erro 1: Assumir que o seguro está incluído.
Não está. O vendedor não tem obrigação de seguro sob o CPT. Compradores que confundem CPT com CIP, que exige que o vendedor providencie seguro abrangente das Condições A, ficam desprotegidos quando ocorrem danos. Correção: providencie seu próprio seguro de carga antes que as mercadorias sejam coletadas pelo primeiro transportador.
Erro 2: Assumir que o risco é transferido no destino.
O risco é transferido no primeiro transportador no país de origem, não no destino nomeado. O local nomeado apenas determina quem paga a conta do frete. Correção: leia a seção de risco deste artigo antes de assinar qualquer contrato CPT, e certifique-se de que seu seguro de carga esteja em vigor a partir da data de coleta.
Erro 3: Usar um local nomeado vago.
Escrever “CPT Brasil” em vez de “CPT Terminal de Contêineres do Porto de Santos, Brasil” deixa a fronteira de custo do frete indefinida. O vendedor pode argumentar que sua obrigação termina em um porto brasileiro; você pode acreditar que ela se estende ao seu armazém. Esta é uma disputa de fatura genuína e comum. Correção: sempre nomeie um ponto de entrega específico e acordado no contrato.
Erro 4: Confundir CPT e CFR para rotas marítimas exclusivas.
Alguns vendedores usam CFR (Custo e Frete) e CPT de forma intercambiável. Eles não são os mesmos. O CFR é restrito a transporte marítimo e por vias navegáveis interiores. O CPT cobre todos os modais. Para frete rodoviário da Polônia ou frete aéreo da Índia, o CFR não se aplica. O CPT está correto. Correção: confirme o modal de transporte antes de concordar com os Incoterms.
Erro 5: Esquecer de registrar um número EORI (se aplicável).
Um comprador recebendo mercadorias em termos CPT é responsável pelo despacho aduaneiro. Sem um número EORI, o sistema da alfândega não consegue processar a entrada de importação. As mercadorias podem ser retidas no porto e as taxas de demurrage, taxas de armazenamento de contêineres, se acumulam rapidamente. Correção: registre-se para um número EORI através do site da alfândega relevante antes que a primeira remessa parta.
Erro 6: Não especificar arranjos de seguro no contrato.
Se o comprador deseja que o vendedor providencie o seguro em seu nome, mesmo com o comprador pagando o prêmio, isso deve ser escrito no contrato de venda. Sob o CPT, isso não é automático. Correção: se você quer que o vendedor cuide do seguro, mude para CIP ou escreva uma cláusula de seguro explícita em seu acordo.
CPT vs CIP
CPT e CIP, Carriage and Insurance Paid To (Frete e Seguro Pagos Até), são Incoterms quase idênticos. A única diferença é o seguro.
| Diferença Chave |
CPT |
CIP |
| Quem paga o frete |
Vendedor |
Vendedor |
| Ponto de transferência de risco |
Primeiro transportador na origem |
Primeiro transportador na origem |
| Obrigação de seguro sobre o vendedor |
Nenhuma |
Sim — Condições A mínimas (todos os riscos) desde 2020 |
| Quem cuida do despacho de importação |
Comprador |
Comprador |
| Modal de transporte |
Todos os modais |
Todos os modais |
| Mais adequado para |
Compradores com sua própria apólice de carga |
Compradores que desejam cobertura providenciada pelo vendedor |
A distinção prática. Sob o CIP (sobre o qual você pode ler em nosso guia do Incoterm CIP), o vendedor deve comprar seguro de carga abrangente. Condições de Carga do Instituto A como mínimo desde o Incoterms 2020, cobrindo o risco do comprador durante o trânsito. Esta é uma garantia substancial. Sob o CPT, o comprador não recebe seguro do vendedor e deve providenciar cobertura de forma independente.
Escolha CPT se você já possui uma apólice de seguro de carga corporativa e deseja controlar a qualidade e os termos de sua cobertura. Os preços CPT podem ser ligeiramente menores porque o vendedor não tem custo de seguro para repassar.
Escolha CIP se você não possui seguro de carga, está enviando mercadorias de alto valor ou frágeis, ou simplesmente quer que o vendedor cuide da parte do seguro. O CIP oferece cobertura das Condições A como mínimo, a mais abrangente disponível sob os Incoterms.
CPT vs CFR
Custo e Frete (CFR) é frequentemente confundido com CPT. A lógica é semelhante, o vendedor paga o frete, o comprador assume o risco, mas a regra do modal de transporte é completamente diferente.
| Diferença Chave |
CPT |
CFR |
| Modal de transporte |
Todos os modais (estrada, ferrovia, ar, mar) |
Somente Marítimo e vias navegáveis interiores |
| Ponto de transferência de risco |
Primeiro transportador na origem |
A bordo do navio no porto de embarque |
| Quem paga o frete |
Vendedor |
Vendedor |
| Quem providencia seguro |
Comprador (sem obrigação do vendedor) |
Comprador (sem obrigação do vendedor) |
| Quem cuida do despacho de importação |
Comprador |
Comprador |
| Embarques de contêiner (FCL) |
✅ Apropriado |
⚠️ Tecnicamente problemático |
A diferença chave. O CFR aplica-se apenas a frete marítimo e por vias navegáveis interiores. Se um vendedor cotar termos CFR para um envio rodoviário da Alemanha ou um envio aéreo de Hong Kong, ele está usando o Incoterm errado. O contrato não teria estrutura legal para transporte rodoviário ou aéreo sob CFR.
O problema do contêiner com CFR. O CFR transfere o risco quando as mercadorias estão “a bordo” do navio, um conceito ambíguo quando as mercadorias são seladas dentro de um contêiner que foi carregado por um terminal portuário, e não pelo vendedor. O CPT transfere o risco no primeiro transportador, o que é limpo e inequívoco em um contexto de contêiner. Para envios de contêineres FCL, o CPT é tecnicamente mais apropriado.
Escolha CPT se suas mercadorias se movem por estrada, ferrovia ou ar, ou se você deseja um único Incoterm que funcione em todos os seus modais de transporte. O CPT é o equivalente de todos os modais do CFR.
Escolha CFR se o envio for apenas frete marítimo, e ambas as partes se sentirem confortáveis usando Incoterms específicos para o mar. Mas esteja ciente de que nosso guia do Incoterm CIP explica por que o CIP é frequentemente a melhor escolha para carga marítima contêinerizada, pois adiciona cobertura de seguro abrangente que o CFR não tem.
CPT e Modal de Transporte — O que Você Pode Embarcar?
O CPT se aplica a todos os modais de transporte: rodoviário, ferroviário, aéreo, marítimo e combinações multimodais de dois ou mais desses.
Esta é uma grande vantagem prática sobre CFR e CIF, que são restritos apenas a transporte marítimo e por vias navegáveis interiores. Se o seu comércio envolve qualquer modal diferente do frete marítimo, CFR e CIF simplesmente não se aplicam.
Exemplos práticos de onde o CPT é apropriado:
- Frete rodoviário de um fornecedor na Alemanha ou Polônia para um armazém no Brasil
- Frete aéreo de um fabricante em Hong Kong ou Vietnã para São Paulo
- Frete ferroviário da China para o Brasil via rotas Transiberianas ou Nova Rota da Seda
- Frete marítimo de Xangai para Santos (Contêiner Completo ou Carga Menos que um Contêiner)
- Movimentações multimodais: por exemplo, rodoviário da fábrica para o porto chinês, depois marítimo para Santos, depois rodoviário para o armazém brasileiro
Embarques de contêiner (FCL). O CPT é apropriado para frete marítimo de contêineres. Diferente do CFR, que transfere o risco quando as mercadorias estão “a bordo do navio”, um conceito mal definido quando as mercadorias são seladas em um contêiner carregado por um terminal portuário, e não pelo vendedor. O CPT transfere o risco no primeiro transportador. Isso é o transportador rodoviário interno ou o depósito na origem, e é totalmente inequívoco. Por essa razão, as orientações da ICC apoiam o uso de CPT (ou CIP) em vez de CFR (ou CIF) para embarques de contêineres.
Local nomeado e modal de transporte. O local nomeado em seu contrato CPT deve corresponder ao ponto de entrega para o modal que você está usando. Para frete marítimo chegando ao Brasil, “CPT Terminal de Contêineres do Porto de Santos” é claro. Para frete aéreo, “CPT Terminal de Carga do Aeroporto de São Paulo” funciona. Para frete rodoviário, “CPT [endereço do armazém do comprador incluindo CEP]” é o mais específico e é a recomendação de melhor prática.
CPT no Incoterms 2020 — Algo Mudou?
O CPT em si não foi significativamente alterado na revisão do Incoterms 2020. As obrigações principais, vendedor paga frete até o destino nomeado, risco é transferido no primeiro transportador, comprador cuida do despacho de importação, permaneceram as mesmas de quando estavam no Incoterms 2010.
A revisão de 2020 esclareceu em todos os Incoterms que os documentos de transporte exigidos pelo vendedor devem refletir a prática comercial moderna. Para o CPT, isso significa que o vendedor deve fornecer qualquer documento que o comprador razoavelmente precise, o que pode incluir recibos de frete eletrônicos ou conhecimentos de embarque digitais em vez de exclusivamente documentos em papel.
O que mudou por perto? A maior mudança de 2020 nos Incoterms do grupo C foi para o CIP, regra irmã do CPT. O padrão mínimo de seguro do CIP foi atualizado das Condições de Carga C do Instituto (cobertura restrita de riscos nomeados) para as Condições de Carga A do Instituto (cobertura abrangente de todos os riscos). Essa mudança aumentou a diferença prática entre CPT, que não carrega obrigação de seguro, e CIP, que agora exige cobertura genuinamente abrangente.
Se você é um comprador decidindo entre CPT e CIP, a atualização de seguro de 2020 torna o CIP significativamente mais protetor do que era antes. Isso vale a pena considerar na sua escolha de Incoterm para mercadorias de alto valor ou vulneráveis.
Se você estiver revisando um contrato mais antigo que faz referência a “CPT Incoterms 2010”, as obrigações são funcionalmente as mesmas do CPT 2020. É uma boa prática atualizar a linguagem do contrato para referenciar as regras atuais de 2020 para evitar qualquer ambiguidade ao consultar orientações mais antigas.
CPT para Importadores e Exportadores no Brasil
Para importadores brasileiros comprando em termos CPT:
Quando as mercadorias chegam ao Brasil em termos CPT, o despacho aduaneiro é inteiramente sua responsabilidade. Aqui está o que você precisa ter em vigor antes que o primeiro embarque desembarque:
Um número EORI (se aplicável). Empresas importando mercadorias comercialmente para a União Europeia precisam de um número de Registro e Identificação de Operadores Econômicos (EORI). Você se registra para um através da autoridade alfandegária relevante. Sem ele, as mercadorias não podem ser liberadas pela alfândega, e seu contêiner pode ser retido no porto enquanto as taxas se acumulam.
Um despachante aduaneiro no Brasil. A menos que você tenha expertise alfandegária interna, precisará de um agente aduaneiro licenciado para submeter suas declarações de importação ao sistema da Receita Federal: o sistema que o Brasil usa para processar a entrada. Seu despachante aduaneiro arquiva a entrada de importação, calcula os impostos devidos e providencia o pagamento em seu nome.
Imposto de Importação. A taxa depende do seu código de mercadoria, encontrado usando a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). As taxas brasileiras são definidas independentemente.
ICMS. Taxa estadual, varia.
IPI. Taxa federal, varia.
A Receita Federal usa o valor da transação das mercadorias como base para a avaliação aduaneira. Sob o CPT, o frete está incluído no preço do vendedor, portanto, o valor aduaneiro da Receita Federal refletirá o valor com frete incluído. Isso afeta o cálculo dos impostos.
Contexto Pós-Brexit (se aplicável para comércio com a UE). Antes de janeiro de 2021, importadores brasileiros comprando de fornecedores da UE em termos CPT não tinham requisitos alfandegários em relação à UE: as mercadorias se moviam livremente dentro do mercado único. Isso mudou com o Brexit. Cada remessa da UE agora requer uma declaração alfandegária completa. Se o seu fornecedor na França, Alemanha ou Itália cotar termos CPT, você agora cuidará do despacho aduaneiro você mesmo. Certifique-se de que seu despachante aduaneiro esteja informado antes do primeiro embarque.
O limite de isenção. Para mercadorias com valor aduaneiro abaixo de um certo limite (que pode variar), o tratamento do imposto de importação pode ser diferente. Para a maioria das remessas comerciais CPT, o valor das mercadorias excederá o limite e procedimentos alfandegários padrão se aplicarão. Mas se você estiver testando um novo fornecedor com pequenas amostras, esteja ciente desse limite, ele afeta como os impostos são pagos e por quem.
Para exportadores brasileiros vendendo em termos CPT:
O vendedor cuida de todo o despacho aduaneiro de exportação no Brasil e paga o frete para o destino nomeado no exterior. Como exportador brasileiro, você precisa do seu próprio número de habilitacão no Siscomex para declarações de exportação. A venda para exportação é desonerada de ICMS, você não cobra ICMS na exportação. O comprador cuida do despacho de importação e paga quaisquer impostos de importação em seu próprio país.
Um Exemplo Real. CPT na Prática
O cenário. Um varejista brasileiro em São Paulo encomenda 2.000 unidades de utensílios de cozinha de marca de um fabricante em Guangzhou, China. Termos acordados: CPT armazém em São Paulo.
Como o envio se desenrola:
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O fabricante de Guangzhou embala e prepara as mercadorias. Eles providenciam o despacho de exportação na China e reservam um agenciador de cargas.
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Um transportador chinês chega à fábrica e coleta as mercadorias. Neste momento, o risco é transferido para o comprador brasileiro. O vendedor ainda está pagando o frete marítimo, mas o comprador agora assume o risco de perda ou dano.
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As mercadorias chegam ao porto de Nansha e são carregadas em um navio porta-contêineres com destino ao Brasil. O vendedor pagou o frete marítimo sob a reserva que ele providenciou.
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O contêiner chega ao Porto de Santos. O despachante aduaneiro do comprador brasileiro submete uma entrada de importação à Receita Federal. Suponha que as mercadorias tenham um valor aduaneiro de R$ 160.000 (valor das mercadorias mais frete): imposto de importação a 10% custa R$ 16.000; ICMS a 18% custa R$ 28.800 (calculado sobre o valor aduaneiro + imposto de importação); IPI varia. O comprador paga tudo.
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A reserva de frete do vendedor inclui o transporte rodoviário do Porto de Santos para São Paulo. Um transportador brasileiro entrega no armazém do comprador. A obrigação CPT do vendedor é cumprida.
E se algo der errado no meio do caminho?
Se o contêiner for danificado no porto de Nansha durante o carregamento, após o transportador ter coletado as mercadorias da fábrica, o comprador assume a perda. O vendedor não tem responsabilidade sob o CPT. Se o comprador brasileiro providenciou seguro de carga antes da coleta, ele pode entrar com um sinistro. Se não o fez, a perda é totalmente irrecuperada.
Resumo de custos total:
| Item de Custo |
Quem Paga |
| Embalagem e preparação para exportação |
Vendedor |
| Despacho de exportação na China |
Vendedor |
| Frete marítimo Guangzhou para Santos |
Vendedor |
| Transporte rodoviário Santos para São Paulo |
Vendedor (incluído no CPT) |
| Seguro de carga durante o trânsito |
Comprador (se providenciado) |
| Taxa do despachante aduaneiro brasileiro (aprox. R$ 2.500) |
Comprador |
| Imposto de Importação a 10% sobre R$ 160.000 |
Comprador — R$ 16.000 |
| ICMS a 18% (valor aduaneiro + II) |
Comprador — R$ 28.800 |
| IPI (variável) |
Comprador |
Perguntas Frequentes sobre CPT
O que CPT significa em transporte?
CPT significa Carriage Paid To (Frete Pago Até). É uma das onze regras Incoterms 2020 publicadas pela Câmara de Comércio Internacional (ICC). Sob o CPT, o vendedor paga o frete até um destino nomeado, mas o risco é transferido do vendedor para o comprador quando as mercadorias são entregues ao primeiro transportador na origem. Aplica-se a todos os modais de transporte: rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo.
Qual a diferença entre CPT e CIP?
CPT e CIP (Carriage and Insurance Paid To – Frete e Seguro Pagos Até) são idênticos, exceto pelo seguro. Sob o CIP, o vendedor deve providenciar e pagar por seguro de carga abrangente cobrindo o risco do comprador durante o trânsito. Condições de Carga do Instituto A como mínimo desde o Incoterms 2020. Sob o CPT, o vendedor não tem obrigação de seguro. O comprador deve providenciar sua própria cobertura de carga. Ambos os Incoterms transferem o risco no primeiro transportador e se aplicam a todos os modais de transporte.
Quem arca com o risco sob o CPT?
O comprador arca com o risco a partir do momento em que as mercadorias são entregues ao primeiro transportador na origem. Mesmo que o vendedor pague o frete até o destino nomeado, o vendedor não tem exposição ao risco assim que o transportador coletou as mercadorias. Se as mercadorias forem danificadas ou perdidas em trânsito, é perda financeira do comprador, recuperável apenas se o comprador providenciou seguro de carga.
Qual a diferença entre CPT e CFR?
Ambos CPT e CFR envolvem o vendedor pagando o frete com risco sendo transferido cedo. A diferença crucial é o modal de transporte. CFR (Custo e Frete) é restrito apenas a transporte marítimo e por vias navegáveis interiores. O CPT cobre todos os modais: rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo. Para frete rodoviário da Europa ou frete aéreo da Ásia, CPT é o Incoterm correto; CFR não se aplica. Para carga marítima contêinerizada, o CPT também é tecnicamente mais limpo porque seu ponto de transferência de risco é inequívoco.
Quando devo evitar o CPT?
Evite CPT se você não tem seguro de carga em vigor antes do início do embarque. O risco é transferido no primeiro transportador no país de origem, cedo na jornada, e se as mercadorias forem danificadas em trânsito, você não tem reclamação contra o vendedor e nenhum seguro para recuperar, a menos que você tenha providenciado uma apólice antecipadamente. Evite também CPT se você ainda não tem um número EORI (se aplicável), pois você não pode cuidar do despacho aduaneiro sem um.
CPT é apropriado para embarques de contêineres?
Sim. O CPT é apropriado para frete marítimo de Contêiner Completo (FCL) e Carga Menos que um Contêiner (LCL). É tecnicamente mais apropriado do que CFR para carga contêinerizada porque o ponto de transferência de risco do CPT, o primeiro transportador, é claramente definido, enquanto o gatilho de “a bordo do navio” do CFR é ambíguo uma vez que as mercadorias estão dentro de um contêiner selado manuseado por um terminal portuário.
CPT inclui impostos de importação?
Não. Sob o CPT, o comprador cuida e paga todo o despacho de importação, impostos de importação e IVA (ou impostos locais equivalentes) no destino. No Brasil, isso significa apresentar uma declaração alfandegária à Receita Federal e pagar os tributos aplicáveis antes que as mercadorias sejam liberadas do porto.
O que significa “local nomeado” em CPT?
O local nomeado em um contrato CPT é o destino para o qual o vendedor paga a conta do frete. Pode ser qualquer local: um porto, um aeroporto, um armazém ou um endereço de rua específico. A obrigação de frete do vendedor termina no local nomeado. Quanto mais específico o local nomeado, mais clara a fronteira, “CPT Terminal de Contêineres do Porto de Santos, Brasil” é muito mais claro do que “CPT Brasil” e evita disputas sobre quem paga o transporte rodoviário além do porto.
Principais Pontos: O que Você Precisa Saber sobre CPT
- Sob o CPT (Carriage Paid To), o vendedor paga o custo do frete até um destino nomeado, mas o risco é transferido do vendedor para o comprador quando as mercadorias são entregues ao primeiro transportador na origem.
- A característica definidora do CPT é uma divisão entre risco e custo: a carteira do vendedor cobre a conta do frete até o destino, mas o comprador assume a exposição financeira se as mercadorias forem perdidas ou danificadas em trânsito.
- O CPT não impõe obrigação de seguro ao vendedor; o comprador deve providenciar seu próprio seguro de carga antes que as mercadorias sejam coletadas pelo primeiro transportador.
- O CPT se aplica a todos os modais de transporte: rodoviário, ferroviário, aéreo e marítimo, tornando-o mais versátil que o CFR, que é restrito apenas a transporte marítimo e por vias navegáveis interiores.
- O comprador é responsável pelo despacho aduaneiro de importação no Brasil, impostos de importação e impostos locais (ICMS, etc.), e deve ter um número EORI (se aplicável) e usar os sistemas alfandegários relevantes.
- CPT e CIP são quase idênticos: a única diferença é que o CIP exige que o vendedor providencie seguro abrangente das Condições A, enquanto o CPT não o faz.
- Para embarques FCL contêinerizados, o CPT é tecnicamente apropriado; o CFR não é, porque o ponto de transferência de risco do CFR (“a bordo do navio”) é ambíguo uma vez que as mercadorias estão dentro de um contêiner selado carregado por um terminal.
- Sempre nomeie um ponto de entrega específico e identificável em um contrato CPT; locais nomeados vagos como “CPT Brasil” criam disputas de custo de frete entre comprador e vendedor.
- Para importadores brasileiros recebendo remessas CPT de fornecedores da UE, agora é necessário completar declarações alfandegárias completas, um requisito que não existia antes e que pega algumas empresas de surpresa.
Para orientações oficiais sobre como os Incoterms afetam a avaliação aduaneira, visite o site da Receita Federal do Brasil.